Textão, fanfics e a implicância com a militância online

Venho reparando que vários dos meus amigos dizem que acreditam e apoiam algumas causas de minorias (ou nem tão minoria assim). A grande questão é que vários desses mesmos amigos me confidenciam uma extrema irritação com a militância da internet. Alguns deles acabam tomando uma certa implicância, e por fim, se posicionam de maneira que passe a mensagem inversa ao que determinado grupo/militância prega.

Darei um exemplo: Eu conheço pessoas que acreditam que mulheres devem ter os mesmo direitos sociais, políticos e econômicos que os homens, mas acabam se dizendo “não feministas”. A ideia distorcida sobre um grupo ou movimento apenas atrapalha, atrasa e afasta pessoas que poderiam contribuir pra mudanças significativas sobre determinada pauta.  A verdade é que pra quem já nasce um degrau acima, deve irritar MESMO o fato de que alguns movimentos e militâncias não lhe devam simpatia ou obrigação de educar, mesmo que MUITAS de nós ainda façamos isso com um sorriso no rosto.

Vamos ao que interessa!

Pra iniciar, é bom levarmos em consideração que o reconhecimento de privilégios (seja ele branco, hétero, magro, homem) é sem duvida algo desconfortável. Você começa a perceber fatos que nunca lhe interessaram perceber antes e isso realmente incomoda. Você se sentirá desconfortável, haverá da sua parte a rejeição e esse é um dos caminhos para tomar o famigerado “nojinho” dos movimentos. Não se deixe levar.

Existe toda uma estrutura elitista, patriarcal e machista criada pra fazer parecer que os movimentos sociais e suas militâncias são inúteis, exageradas ou falsas. Existe, inclusive, manobras políticas que reforçam a ideia de que o feminismo, por exemplo, é um movimento com lado político. Amores, vamos lá: caminhando pela direita ou caminhando pela esquerda, a mulher segue oprimida.

A tentativa de ridicularizar causas de extrema importância e relevância social  muitas vezes geram resultados, principalmente quando o público alvo é o homem médio com baixa escolaridade, pouco  interesse em aprender ou reconhecer privilégios. Esse exército de pessoas são manipuladas e usadas em manobras de massa por aqueles que sabem muito bem o que, em suma, querem os movimentos sociais: IGUALDADE. Eles dizem desejar matar bandidos, que querem armar a população, mas a verdade é que eles não estão, de fato, nem aí pra você, mas sim, precisam de alguém reforçando um discurso injusto, ignorante e preconceituoso pra que eles se mantenham lá em cima com todos os privilégios possíveis. Não seja um “minion” dessa galera, dê uma chance a seu cérebro, corra, vá atrás da informação!

Dentre as tentativas de ridicularização, surgiu um fenômeno chamado popularmente de “fanfics”. Originalmente, fanfics são chamadas assim quando uma história de ficção é escrita, geralmente com personagens populares e famosos.  Eram histórias alternativas inventadas com finalidade recreativa. Na era “textão” em que vivemos e com o aumento da militância online, muitas foram as vezes que agressores e situações cotidianas de descaso e desigualdade social foram expostas de maneira livre e acessível, fazendo com que a repercussão desses assuntos tomassem proporções gigantes e nunca antes tomadas, já que todas as histórias eram antes filtradas pela mídia, ou seja, de fácil manipulação. Assuntos pertinentes a minoria começaram a serem discutidos e bom… De fato incomodou a galera que antes podia ser “escrota” sem passar vergonha.  Diante disso, muita mentira foi contada, muita história falsa foi plantada com fim de desvalidar e descredibilizar os movimentos online.

Precisamos pontuar:

“Fanfics”. É indiscutível que muitas pessoas inventam histórias ideais a fim de se promoverem, de ganharem o selo LACRE, de fazer a linha destruidora. Não é muito difícil encontrar aquele textão sofrido totalmente surreal e carente por atenção. Porém acontece também de não haver o reconhecimento de que a militância ultrapassa os limites da internet SIM, e que muitas das atitudes discutidas aqui se tornam ações reais fora da web.

E nesse ponto eu queria levantar inclusive o que ouvi de alguns amigos meus: “Em você eu acredito pq você faz mesmo alguma coisa pra mudar as coisas e ajudar” ou “mas você faz o que você fala“.

E por isso fica aqui meu pedido pra militantes ativos:

Honrem suas palavras. Sejam coerentes em seus ideais. Os likes passam, a vida cobra. Isso também não significa que você, por fazer parte da militância, precise ser perfeito. Ninguém aqui é, e a desconstrução se dá passo-a-passo, aos poucos, todos os dias. E pros descrentes de movimentos eu peço: Enxerguem as pessoas a sua volta. O mundo é maior que seu círculo de amizade e a internet é aliada. Não julguem textões como inúteis. Pode ser que aquele conteúdo não mude sua vida em nada, mas eu garanto que pode startar (sim!) uma grande mudança na vida de alguém.

Eu já vi isso acontecer. Já vi muito. Se temos essa ferramenta maravilhosa de comunicação, devemos usá-la.

A grande questão é: Com quem você está se relacionando nas suas redes? Que relevância essas pessoas podem ter na sua vida e na vida de outros?

Relacionem-se, pelo menos aqui, com pessoas que vocês respeite, compartilhe ideias, some experiências e que possam um dia se unirem pra por algum textão em prática.

A vida é curta, o texto é longo e ainda temos muito o que mudar por aqui.

 

As ilustrações são da maravilhosa artista Agnes Cecile!


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