Beleza, autoestima e o mito de que uma coisa depende da outra

Oi, tudo bom? Vamos conversar um pouquinho? <3

Não é difícil encontrar pela internet, na televisão ou até em livros dicas e conteúdos sobre a elevação da autoestima. A busca pela autoconfiança e segurança é um assunto bem atual, inclusive aqui mesmo nos meus textos. O tema vem tomando força a medida que vamos estendendo os conceitos de beleza, felicidade e sucesso.

É bem comum estar rolando o feed e achar posts sobre se sentir linda, empoderada, dona de si mesma. Eu mesma faço questão de estar sempre reforçando o quanto somos lindas como escolhemos ser, o quanto somos poderosas e tudo mais. Mas já repararam que o “se sentir linda” é sempre o foco principal, o mais falado, o mais buscado?

Se sentir feliz com a sua aparência, aceitar e até mesmo celebrar sua auto imagem é de extrema importância sim, mas precisamos entender que somente a aparência, a longo prazo, não sustenta autoestima elevada.

Isso acontece pelo simples fato de que somos pessoas completas, feitas de experiências passadas, vivência de presente e também pq almejamos, naturalmente, a felicidade futura.

A complexidade do que somos como seres humanos as vezes nos faz buscar caminhos e mecanismos mais fáceis pra enfrentarmos nossos problemas mais pessoais e profundos.

Parece mais fácil (mesmo que não seja) arrumar o cabelo, comprar um vestido novo e se sentir linda para poder dizer-se com autoestima elevada. É maravilhoso que essa sensação exista, mas é PRECISO fazer o recorte necessário sobre a aparência em relação a autoestima.

A beleza é um dos conceitos mais relativos do mundo, apesar de vivermos sobre um padrão ocidental que define exatamente o que pode ser lindo ou não. Considerando que as pessoas sentem e enxergam as coisas diferentes umas das outras, é impossível esperar que sejamos lindos pra todo mundo ou pro resto das nossas vidas.  A frustração é um perigo real, e é aí que o conceito aparência X autoestima tomam rumos diferentes na história.

A autoestima deve ser um compilado de sentimentos positivos sobre nós mesmos. É quase que uma convicção própria de que somos bons o suficiente pra sermos quem queremos ser, fazermos as escolhas que julgarmos ideais, entender, aprender e perdoar nossos erros meramente humanos. Autoestima é acordar pela manhã sem a dúvida de que nossa existência tem sim um propósito, que somos dignos de amor, respeito, carinho e que isso tudo pode ser dado a nós por nós mesmos.

A autoestima precisa se desligar do espelho às vezes. Não que o espelho não ajude a enxergar nossa luz refletida em forma de beleza externa, mas por ser um conceito tão vago e infinito, precisamos nos apegar no que sobra depois que tudo vai embora.

Não há uma obrigação em se sentir linda o tempo todo. Não há uma obrigação em se sentir sexy e até mesmo desejada o tempo todo. Quando entendemos que essa autoestima é frágil e que precisamos fortalecer quem somos, o que amamos e o que queremos, se sentir linda não vira mais uma questão de obrigação nem de esforço para com sua auto imagem e confiança, e sim, só uma consequência.

A autoestima, por fim, é muito mais sobre confiar nas suas habilidades, se orgulhar da pessoa que você é e dormir tranquilamente a noite do que simplesmente apoiar-se na aparência externa para que sejamos validados por outras pessoas. A autoestima é muito mais sobre nós mesmas, sobre como nos sentimos lá dentro do que sobre a quantidade dos likes na foto da nossa bunda.

Eu levei um tempo pra entender que me sentir feliz e completa era muito mais saudável do que me sentir apenas bonita. Até pq quando estamos realmente felizes e completas, a beleza transborda da alma e brilha no corpo.

Preste atenção no que vem de dentro <3

As ilustrações são da maravilhosa artista Cécile Dormeau.


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