PRIDE QUEENS apresenta “SPOOKWEENS” a versão Drag Queen do Halloween!

Não é a primeira vez e nem será a última que as musas do Pride Queens passarão por aqui. Você quer Drag Queen, @? Então vamos lá!

Na data de ontem (31/10), se comemorou o Halloween em diversas partes do mundo e aqui no Brasil a gente adora uma festa, né? Por isso é bem comum rolar a timeline e achar todo mundo nesse clima mais assustador e macabro. Com as nossas amadas queens de Porto Alegre não foi diferente!

O Pride Queens de outubro leva o nome de “Spookweens” e conta com uma produção incrível e de muito bom gosto. A gente se pergunta mesmo COMO FAZ pra estar absolutamente assustadora e ao mesmo tempo tão glamorosa quanto nossas drag queens maravilhosas, mas elas dão um show quando o assunto é inovar e surpreender com os visuais produzidos. Eu mesma fiquei babando e claro, não poderia deixar de exaltar essa arte incrível aqui. As fotos são do Matheus Amaral e a edição fica por conta do Caetano Weismann

Foi pensando em trazer um pouco mais de magia e beleza pro seu dia que hoje o post é dedicado a elas: Ayô, Belle, Savannah, Seripha, Kai e Zelda. <3

“A Liga Fantástica de Monstros veio pra sugar sua alma! Celebrando os clássicos de terror da antiga era Hollywoodiana com um toque fabuloso! Feliz dia das Bruxas!”

Ta preparada, more?

AYÔ – THE BRIDE OF FRANKENSTEIN

AYO

 

BELLE ZETH BOO – DRACULA

BELLE

 

SAVANNAH – The Wolf Woman

SAVANNAH

 

SERIPHA – The Creature from the Black Lagoon

 

KAI – THE MUMMY

 

ZELDA – INVISIBLE WOMAN

 

EAÍ, qual dessas produções você faria? Conta pra gente aqui nos comentários!

Lembrando:

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A página no projeto você pode curtir pra receber as novidades em primeira mão clicando AQUI!

Para seguir e acompanhar nossas Drag Queens favoritas, basta clicar no nome de cada uma em suas respectivas fotos! Quero ver todo mundo mandando muito amor pra elas, ok?

Não esqueçam de conferir o post onde eu conto um pouquinho sobre a experiência da minha primeira montação Drag com o Pride Queens clicando AQUI! Pra me acompanhar no instagram, segue lá @Glaina


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ANITTA, PABLLO VITTAR E MAISA: Como uma cantora de funk, uma drag queen e uma adolescente viraram ídolos nacionais

O cenário musical e de entretenimento brasileiro vem se diversificando e finalmente saindo da linha óbvia-padrão que permaneceu imutável por gerações. Existia uma fórmula pra fazer sucesso no Brasil, e pra ser a cara do país lá fora era necessário atender a vários requisitos que sempre excluíram o “diferente” dos holofotes. Vocês estão preparados para Anitta, Pabllo e Maisa?

A era revolucionária sobre gênero e padrões que estamos vivendo e o uso da internet como ferramenta poderosa de disseminação de conteúdo, levou o Brasil a um novo nível de mudança: nossos ídolos não atendem mais aos padrões tradicionais de classe, gênero ou idade! Com o acesso mais fácil a informação, conteúdos relevantes e instrutivos, as novas gerações estão mais livres de preconceitos, aprendendo a valorizar o diferente e entendendo essa diversidade como motivo pra celebrar e não mais pra excluir ou marginalizar.

A mudança é clara pra qualquer pessoa média e já fez as grandes mídias começarem a se adaptar a essa geração que está mais consciente, militante e ativa em suas causas. Você imaginou que 10 anos atrás uma Drag Queen estaria estrelando um comercial de maquiagem ou que uma cantora de funk abriria as Olimpíadas?

É, eu também não.

Anitta

Uma mulher jovem que cresceu no funk, teve todo seu amadurecimento até à idade adulta monitorado pelos holofotes. Antes, apenas mais uma cantora de funk no Brasil, hoje é uma das maiores personalidades do país, respeitada e já amada por muita gente aqui e lá fora.

anitta

Anitta apesar de toda a fama, é um exemplo clássico de uma menina-mulher comum, assim como eu, como você que tá lendo e como várias pessoas que conhecemos. Anitta também não nasceu desconstruída, viu? Apesar de atualmente ser um símbolo forte sobre o poder feminino e até mesmo sobre algumas vertentes feministas, é bem fácil de perceber que a cada entrevista ou declaração pública Anitta foi evoluindo seu discurso, desenvolvendo suas ideias e deixando sua essência positiva tomar lugar de convicções ultrapassadas, baseadas numa criação machista que todos, absolutamente todos nós experimentamos em algum nível em nossas vidas. Anitta cresceu, virou referencia e hoje joga muita verdade “bem na sua cara“. Você pegou a referência? 🙂

E por falar em cara, podemos falar delx?

 Pabllo Vittar

Uma Drag Queen de 22 anos que está experimentando o poder da fama faz pouco tempo, mas que já tem muito pra falar. Pabllo é uma diva Drag brasileira que canta POP e que lançou seu primeiro disco solo em janeiro desse ano. Disco esse que por sinal fez um sucesso estrondoso, fazendo suas musicas ficarem nas paradas do iTunes uma semana após o lançamento como o terceiro álbum mais baixado do site e 9 de suas 10 musicas entre as 50 mais reproduzidas no Spotify. Pabllo não veio pra brincadeira e ele deixa isso bem claro em suas declarações. Em uma das suas entrevistas mais marcantes, Pabllo declarou a Revista Trip a seguinte frase:

“Se hoje estou dando uma entrevista montada de drag, é porque muita gente morreu e sofreu preconceito para que eu ocupasse esse espaço”.

Pabllo

Pabllo virou símbolo LGBT, mas com suas musicas melódicas e com batida POP contagiante, a Drag mais famosa do Brasil já conquistou todos os públicos, inclusive, e principalmente, o público feminino. Pra quem acha que estamos forçando, Pabllo é atualmente a Drag Queen mais reproduzida no mundo no YouTube, passando até mesmo a maior celebridade Drag da história, Rupaul. São milhões e milhões de visualizações em seu clipe original e são milhões e milhões de pessoas com acesso a Pabllo, um jovem inspirador com um discurso bonito e necessário. O que podemos dizer? Ninguém tomba Pabllo Vittar!

Já que estamos falando em tombamento.. Pode entrar,

 Maisa

Quem não lembra da menininha talentosa e tagarela que apresentava programas infantis de uma maneira única? Maisa é hoje cantora, atriz e uma das maiores influencers brasileiras na internet. A menina é um fenômeno, não só por conta do seu sucesso, mas pela postura que ela adota em relação ao que a cerca. Tanto as críticas quanto os assédios que Maisa vem sofrendo, são respondidos por ela sempre de maneira esclarecida, muito bem informada e educada. É fácil se pegar lendo um texto ou uma entrevista de Maisa e esquecer que quem está falando ali é uma menina de apenas 15 anos.

maisa

Maisa virou febre por se tornar um símbolo da nova geração de meninas no Brasil, jovens mulheres que dão um verdadeiro show de conhecimento, curiosidade e interesse em assuntos relacionados a feminismo, preconceitos e relação com as diferenças. Maisa tá sempre esperta e ajuda milhões de jovens a entenderem seu valor e sua feminilidade, não forçando um amadurecimento precoce, mas lidando de maneira simples e eficaz com o machismo que sofre diariamente em sua vida normal de adolescente.

Creio não conseguir explicar a dimensão e o quão grandiosas são essas representações e como essas três personalidades estão dando um novo rumo quanto ao comportamento diante das diferenças no Brasil. As três novas caras do país representam tudo o que antes era desvalorizado: a mulher e a cultura marginalizada da periferia, a Drag Queen e o afronto ao preconceito quanto a sexualidade e gênero, e a jovem menina que representa a nova geração de mulheres provando que com informação e conhecimento quebramos tabus e derrubamos o machismo.

Com carisma, talento e muito o que dizer, Anitta, Pabllo e Maisa tem papéis fundamentais na construção da nova cara do jovem brasileiro: o que acha preconceito, homofobia e machismo formas ultrapassadas de comportamento. Elas ditam o que é “cool” e pra nossa sorte, o “novo cool” é praticar o respeito e a empatia para com o próximo e suas escolhas pessoais. Não é difícil achar tweets, posts ou até mesmo entrevistas desses três fenômenos onde eles reforçam a ideia de que uma nova geração está aí pra fazer a diferença.

É emocionante saber que essas três estrelas estão conseguindo romper a barreira de um público alvo específico e atingindo cada vez mais públicos, conseguindo levar a mensagem de amor e diversidade pra mais pessoas.

São três rainhas que usam de sua realeza em prol da arte, da cultura brasileira e do amor próprio e ao próximo.

Vieram pra ficar, agora é só aceitar.

Eu e minha casa servimos a Anitta, Pabllo e Maisa.❤

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Como aprendi assistindo Friends que está tudo bem estar perdido aos 20 e poucos

*Pra quem ainda está assistindo Friends, este texto contém vários spoilers!

Eu sempre achei que aos 25 minha vida estaria encaminhada. Achei que estaria formada no curso dos sonhos, que teria um bom emprego pra construir uma carreira sólida. Achei que estaria num relacionamento estável e que de alguma forma, aos 25 eu estaria ajudando quem me ajudou. Mãe, vó, essa é pra vocês.

Nascida em 94 e criada com o esforço de uma mãe solteira, até o ano de 2016 eu nunca havia parado pra assistir uma das séries de maior sucesso dos anos 90/2000, Friends. Quando finalmente decidi encarar a maratona, me peguei fazendo algumas análises sutis de como Friends nos mostra que tá tudo bem não estar onde você achou que estaria com a sua idade. Vou explicar.

Todos os personagens começam de baixo.

Rachel Green

Saiu da casa dos pais depois de se recusar a casar por status, com seus 20 e poucos aninhos. Acostumada a ter tudo, Rachel mostra que servir cafés para outras pessoas não tem nada de vergonhoso. Contas precisam ser pagas e mesmo odiando, Rachel encara o desafio.

Rachel

Rachel nos mostra que as vezes o emprego de bosta que a gente odeia é só temporário mesmo. Você não precisa ficar lá pra sempre. Quite seus boletos e continue na busca como Rachel. Quando nossa querida e amada patricinha finalmente conseguiu um emprego ligado a moda (seu sonho!) ele não era lá como ela esperava ser. Começou desembaralhando cabides e servindo cafés a chefões esquisitos. Rachel não desistiu. Com uma entrevista nova de emprego, ela conseguiu um cargo baixo em uma de suas lojas favoritas. Rachel foi crescendo com os anos, se tornando uma excelente profissional, sendo promovida, chamada por outras marcas e virando uma mulher de visão no mundo da moda. Vimos Rachel engravidar sem estar casada, surtar, E TÁ TUDO BEM COM ISSO, ter sua filha e se apaixonar novamente anos depois por Ross.

Mônica

Com Mônica a história profissional também não foi muito diferente. Um bico em um restaurante menor, um emprego constrangedor em uma lanchonete temática (não esqueçam, contas precisavam ser pagas) a chance de chefiar cozinhas  pequenas, servir buffets em velórios até ser respeitada, crescer e ser chamada pra ser Cheff de um grande restaurante.

monica

Mônica que sempre teve o sonho de casar e ter filhos, acabou adotando um casal de gêmeos e casando com seu melhor amigo. Tudo isso depois dos 30, tudo isso levou tempo, tudo isso foi sendo construído por ela, ano após anos.

Phoebe

Ela e seu violão cantavam por amor. Com letras bem engraçadas e as vezes literais demais, Phoebe nunca se demonstrou infeliz com sua profissão.

Phoebe

Phoebe era massagista e era bem feliz com isso. Porém aos 31 anos, ela se da conta que nunca havia estado em um relacionamento sério. Ela entra em crise, acha que tá tudo errado, que era uma aberração até entender que apenas não tinha chegado o momento e a pessoa certa. E Phoebe que sempre foi a hippie de história difícil e família não-tradicional acabou casando, depois dos trinta, na rua mesmo, sem nada de luxo. Phoebe não precisava nada mais do que amor e nós aprendemos isso com ela.

Chandler

Eu posso citar Chandler como um exemplo de coragem. Passado dos seus 30 anos, Chandler abandona o emprego estável pra procurar o que ele realmente amava fazer.

chandler

Descobriu-se no ramo da publicidade e estagiou com jovens iniciantes, ganhou seu espaço, estudou, foi promovido e conseguiu então, depois, bem depois dos seus 30 anos descobrir o que lhe fazia feliz. Chandler que tinha fobia de compromissos se casou com Mônica e adotou junto com ela o casal de gêmeos. Chandler nos faz lembrar que não precisamos ficar aprisionados a vida toda em algo que não nos faz feliz. Chandler nos ensinou que mudar pode ser trabalhoso, que precisamos de vontade e coragem, mas que sim, ta tudo bem começar do zero depois dos 30.

Joey

Joey sempre sonhou com a carreira de ator. Investiu tempo, fez papéis não muito prestigiados, ganhou críticas horríveis em seus primeiros trabalhos e nunca desistiu.

Joey

Trabalhou como garçom (pq cês sabem, as contas!) e continuou dia após dia a caçar testes e trabalhos em que pudesse mostrar seu verdadeiro talento: ser ele mesmo. Depois dos 30 Joey consagrou o Dr. Drake Ramoray, ganhou um pepel de destaque em um filme e foi até indicado a premiações. Joey nos ensina que críticas negativas e vários, mas VÁRIOS NÃOS realmente não significam nada quando se quer algo de verdade. Mesmo que leve tempo.

Ross

Ross estudou Paleontologia, mesmo sendo massacrado no ensino médio por ser um nerd que amava dinossauros.

Ross

Ele nunca ligou muito pra o que as pessoas pensavam sobre sua paixão por essa área e lutou pra se tornar referencia no museu onde começou montando sessões pra estudantes assistirem. Ross se tornou Doutor naquilo que amava. Deu palestras, aulas, viajou pelo mundo estudando dinossauros e se tornou referência no assunto. Ross nos ensinou que não importa o que as pessoas dizem sobre nossas paixões, seguir o que seu coração mandar é o que lhe trará felicidade. Se casou e se divorciou 3 vezes, até terminar com Rachel, sua primeira paixão.

FRIENDS

Eu aprendi vendo Friends que o mais importante de tudo é estar cercado de quem você ama. Que as coisas raramente acontecem de um dia pra outro e que o normal é estar perdido aos 20 e poucos… Não saber o que se quer fazer na vida não nos impede de continuar procurando, cavando fundo em nossos corações, lutando pelo que queremos e acreditamos e o mais importante de tudo: não desistindo.

friends

Você pode não saber o que quer da vida, mas a vida quer só que você continue tentando. Afinal, ela sabe bem que você vai chegar lá! <3 

 

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DRAG QUEEN POR UM DIA | Como o projeto PRIDE QUEENS mudou minha concepção sobre a arte drag

É DRAG QUEEN que vocês queriam?

Me deixem começar com o devido pedido desculpas.

Pois é, eu sei que não é todo dia que eu apareço na sua timeline derrubando portas com os dois pés, mas adianto:

O BABADO DESSE POST É FORTÍSSIMO.

Quem me conhece a a mais tempo sabe que uma das minhas grandes paixões nessa vida é acompanhar o trabalho de DRAG QUEENS. Sou fã, entusiasta e apoiadora dessa arte que está tomando cada dia mais o seu merecido lugar e reconhecimento.  Você não precisa ser nenhum profundo conhecedor da cena pra saber que durante muito tempo grandes Drag Queens armadas com talentos gigantescos foram (e ainda são) marginalizadas enquanto artistas. O que você tem a ver com isso? Tudo. O preconceito, exclusão (inclusive dento do movimento LGBT) e até mesmo esteriótipos de gênero são grandes empecilhos pra que arte drag seja devidamente valorizada.  Se instruir, compartilhar conteúdos informativos e não reforçar discursos de ódio já ajuda a disseminar a ideia de que Drag Queens existem e resistem. E claro, de maneira FABULOSA.

Eu me considero alguém privilegiado e não foi diferente quando tive a HONRA de conhecer um pouco mais de perto (E BEM DE PERTO) a arte DRAG. Tenho amigos e amigas que fazem um trabalho maravilhoso e que me proporcionaram viver a experiência de uma montação drag por um dia. ISSO MESMO, a baixinha que lhes escreve virou um ser místico e poderoso dentro do PRIDE QUEENS, um projeto que nasceu da paixão e vontade de mostrar ao mundo a cena talentosa e diversificada das Drag Queens de Porto Alegre. O Pride Queens conta com Ayô, Belle, Seripha, Savannah, Zelda e Kai, quatro jovens talentosos que acreditam na arte além do visual mas sem ARRASAR menos por isso. Eu descobri que o Pride Queens é muito mais do que só aparecer linda e lacradora nas fotos, mas que é também sobre luta, apoio mútuo, crescimento, troca de ideias e experiências. E foi com toda essa carga de importância que encarei meu primeiro photoshoot montadinha e é sobre ele que irei contar um pouquinho agora!

Eu não tinha ideia de como pode ser trabalhoso e gratificante uma montação. Ayô chamou e quando cheguei na casa da Seripha  já percebi que aquele ambiente tinha me ganhado: Glitter, maquiagem, peruca, roupas cintilantes por todos os lados. Eu, principiante, fui de blazer branco e já logo acabei sendo informada que não ia dar certo, afinal, o que tem de COR naquela casa não é mensurável! Gente, eu tava me sentindo morando dentro da bandeira LGBT. Tava feliz, né? Pois bem, como boa abusada que sou já fui logo arrumando um espacinho perto das meninas que já estavam se maquiando. Elas não sabem mas eu já estava meio “Y É O QUE?” com as makes que elas estavam usando e fazendo uma na outra. NEM TAVA PRONTO AINDA e eu já babando, encantada com o que estava saindo, já empolgada pra ver todas em seu resultado final. Pra uma mulher que põe um rímel, um delineador e CALL IT A DAY, imaginem qual foi a sensação quando Seripha me olha e diz: VAMOS TE MONTAR TAMBÉM?

MENINAS, FIQUEI IMPACTADA.

Impactadíssima, diga-se de passagem. Meu coração bateu forte e fiquei mais animada do que nunca! Sentei na cadeira e nem respirava pra não atrapalhar, não tinha a mínima ideia do que estava sendo pintado no meu rosto. Aliás, gente, a rapidez com que Seripha me maquiou EU TO PRA VER, VIU? Quando olhei no espelho, o choque:  NÃO ERA MAIS A GLAINÁ, EU ERA UMA LEOA MUITO DA PODEROSA. A sensação de ser alguém completamente novo e encorporar essa personagem me fez entender de uma vez por todas que a arte drag é muito, muito mais mágica do que eu pensava ser. Assim que cheguei em casa tive que chamar Ayô e dizer que eu JAMAIS havia me dado conta que fotografar (imagina performar!) com uma ilusão no rosto, traços que não são todos seus e noção distorcida de como estamos parecendo É DIFÍCIL. Sou uma mulher acostumada a fotografar, nos mais diversos ambientes, com as mais diversas roupas.. E olha, tomei UM BAILE. É, amigos: RESPEITA A ARTE, não é brincadeira, viu? Emocionada, ainda fiz uma participação especial no terceiro photoshoot do Pride Queens, o “e•the•re•al”, numa pegada BEMxMAL, temos heroínas e vilãs mas todas elas BEEEEM VIADAS que é como a gente gosta! Vocês podem conferir AGORINHA!

 

AYÔ – THE HIDRA

drag queen ayo

Divindade, senhora das águas, protetora.

BELLE ZETH BOO – THE HEROINE

drag queen belle

Divindade heroica, autêntica, a busca pelo bem.

KAI – THE CORRUPTION

drag queen kai

Divindade corrompida, sombria, sedenta por poder.

SAVANNAH – THE ORACLE

drag queen savannah

A que tudo vê, a que tudo sabe, a que pode guiar.

SERIPHA -THE LEVIATHAN

drag queen seripha

Criatura das águas e seus seres, força e fúria das ondas.

ZELDA -THE HIEROPHANT

drag queen zelda

Divindade de luz, bondade e sabedoria.

GLAINÁ –  THE COURAGE

drag queen glaináDivindade terrena, coragem e bravura.

“Em um mundo dividido, onde o caos e a ordem, a luz e as trevas, a paz e o ódio se enfrentam numa batalha constante, nossa heroína só tem uma alternativa para sobreviver:
SER MUITO VIADA!”

Aproveito o espaço pra agradecer e exaltar cada uma dessas DRAGS MARAVILHOSAS e é com lágrimas nos olhos (ela é sensível ela!) que eu tive o prazer de dividir essa experiência com vocês. <3


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Textão, fanfics e a implicância com a militância online

Venho reparando que vários dos meus amigos dizem que acreditam e apoiam algumas causas de minorias (ou nem tão minoria assim). A grande questão é que vários desses mesmos amigos me confidenciam uma extrema irritação com a militância da internet. Alguns deles acabam tomando uma certa implicância, e por fim, se posicionam de maneira que passe a mensagem inversa ao que determinado grupo/militância prega.

Darei um exemplo: Eu conheço pessoas que acreditam que mulheres devem ter os mesmo direitos sociais, políticos e econômicos que os homens, mas acabam se dizendo “não feministas”. A ideia distorcida sobre um grupo ou movimento apenas atrapalha, atrasa e afasta pessoas que poderiam contribuir pra mudanças significativas sobre determinada pauta.  A verdade é que pra quem já nasce um degrau acima, deve irritar MESMO o fato de que alguns movimentos e militâncias não lhe devam simpatia ou obrigação de educar, mesmo que MUITAS de nós ainda façamos isso com um sorriso no rosto.

Vamos ao que interessa!

Pra iniciar, é bom levarmos em consideração que o reconhecimento de privilégios (seja ele branco, hétero, magro, homem) é sem duvida algo desconfortável. Você começa a perceber fatos que nunca lhe interessaram perceber antes e isso realmente incomoda. Você se sentirá desconfortável, haverá da sua parte a rejeição e esse é um dos caminhos para tomar o famigerado “nojinho” dos movimentos. Não se deixe levar.

Existe toda uma estrutura elitista, patriarcal e machista criada pra fazer parecer que os movimentos sociais e suas militâncias são inúteis, exageradas ou falsas. Existe, inclusive, manobras políticas que reforçam a ideia de que o feminismo, por exemplo, é um movimento com lado político. Amores, vamos lá: caminhando pela direita ou caminhando pela esquerda, a mulher segue oprimida.

A tentativa de ridicularizar causas de extrema importância e relevância social  muitas vezes geram resultados, principalmente quando o público alvo é o homem médio com baixa escolaridade, pouco  interesse em aprender ou reconhecer privilégios. Esse exército de pessoas são manipuladas e usadas em manobras de massa por aqueles que sabem muito bem o que, em suma, querem os movimentos sociais: IGUALDADE. Eles dizem desejar matar bandidos, que querem armar a população, mas a verdade é que eles não estão, de fato, nem aí pra você, mas sim, precisam de alguém reforçando um discurso injusto, ignorante e preconceituoso pra que eles se mantenham lá em cima com todos os privilégios possíveis. Não seja um “minion” dessa galera, dê uma chance a seu cérebro, corra, vá atrás da informação!

Dentre as tentativas de ridicularização, surgiu um fenômeno chamado popularmente de “fanfics”. Originalmente, fanfics são chamadas assim quando uma história de ficção é escrita, geralmente com personagens populares e famosos.  Eram histórias alternativas inventadas com finalidade recreativa. Na era “textão” em que vivemos e com o aumento da militância online, muitas foram as vezes que agressores e situações cotidianas de descaso e desigualdade social foram expostas de maneira livre e acessível, fazendo com que a repercussão desses assuntos tomassem proporções gigantes e nunca antes tomadas, já que todas as histórias eram antes filtradas pela mídia, ou seja, de fácil manipulação. Assuntos pertinentes a minoria começaram a serem discutidos e bom… De fato incomodou a galera que antes podia ser “escrota” sem passar vergonha.  Diante disso, muita mentira foi contada, muita história falsa foi plantada com fim de desvalidar e descredibilizar os movimentos online.

Precisamos pontuar:

“Fanfics”. É indiscutível que muitas pessoas inventam histórias ideais a fim de se promoverem, de ganharem o selo LACRE, de fazer a linha destruidora. Não é muito difícil encontrar aquele textão sofrido totalmente surreal e carente por atenção. Porém acontece também de não haver o reconhecimento de que a militância ultrapassa os limites da internet SIM, e que muitas das atitudes discutidas aqui se tornam ações reais fora da web.

E nesse ponto eu queria levantar inclusive o que ouvi de alguns amigos meus: “Em você eu acredito pq você faz mesmo alguma coisa pra mudar as coisas e ajudar” ou “mas você faz o que você fala“.

E por isso fica aqui meu pedido pra militantes ativos:

Honrem suas palavras. Sejam coerentes em seus ideais. Os likes passam, a vida cobra. Isso também não significa que você, por fazer parte da militância, precise ser perfeito. Ninguém aqui é, e a desconstrução se dá passo-a-passo, aos poucos, todos os dias. E pros descrentes de movimentos eu peço: Enxerguem as pessoas a sua volta. O mundo é maior que seu círculo de amizade e a internet é aliada. Não julguem textões como inúteis. Pode ser que aquele conteúdo não mude sua vida em nada, mas eu garanto que pode startar (sim!) uma grande mudança na vida de alguém.

Eu já vi isso acontecer. Já vi muito. Se temos essa ferramenta maravilhosa de comunicação, devemos usá-la.

A grande questão é: Com quem você está se relacionando nas suas redes? Que relevância essas pessoas podem ter na sua vida e na vida de outros?

Relacionem-se, pelo menos aqui, com pessoas que vocês respeite, compartilhe ideias, some experiências e que possam um dia se unirem pra por algum textão em prática.

A vida é curta, o texto é longo e ainda temos muito o que mudar por aqui.

 

As ilustrações são da maravilhosa artista Agnes Cecile!


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Beleza, autoestima e o mito de que uma coisa depende da outra

Oi, tudo bom? Vamos conversar um pouquinho? <3

Não é difícil encontrar pela internet, na televisão ou até em livros dicas e conteúdos sobre a elevação da autoestima. A busca pela autoconfiança e segurança é um assunto bem atual, inclusive aqui mesmo nos meus textos. O tema vem tomando força a medida que vamos estendendo os conceitos de beleza, felicidade e sucesso.

É bem comum estar rolando o feed e achar posts sobre se sentir linda, empoderada, dona de si mesma. Eu mesma faço questão de estar sempre reforçando o quanto somos lindas como escolhemos ser, o quanto somos poderosas e tudo mais. Mas já repararam que o “se sentir linda” é sempre o foco principal, o mais falado, o mais buscado?

Se sentir feliz com a sua aparência, aceitar e até mesmo celebrar sua auto imagem é de extrema importância sim, mas precisamos entender que somente a aparência, a longo prazo, não sustenta autoestima elevada.

Isso acontece pelo simples fato de que somos pessoas completas, feitas de experiências passadas, vivência de presente e também pq almejamos, naturalmente, a felicidade futura.

A complexidade do que somos como seres humanos as vezes nos faz buscar caminhos e mecanismos mais fáceis pra enfrentarmos nossos problemas mais pessoais e profundos.

Parece mais fácil (mesmo que não seja) arrumar o cabelo, comprar um vestido novo e se sentir linda para poder dizer-se com autoestima elevada. É maravilhoso que essa sensação exista, mas é PRECISO fazer o recorte necessário sobre a aparência em relação a autoestima.

A beleza é um dos conceitos mais relativos do mundo, apesar de vivermos sobre um padrão ocidental que define exatamente o que pode ser lindo ou não. Considerando que as pessoas sentem e enxergam as coisas diferentes umas das outras, é impossível esperar que sejamos lindos pra todo mundo ou pro resto das nossas vidas.  A frustração é um perigo real, e é aí que o conceito aparência X autoestima tomam rumos diferentes na história.

A autoestima deve ser um compilado de sentimentos positivos sobre nós mesmos. É quase que uma convicção própria de que somos bons o suficiente pra sermos quem queremos ser, fazermos as escolhas que julgarmos ideais, entender, aprender e perdoar nossos erros meramente humanos. Autoestima é acordar pela manhã sem a dúvida de que nossa existência tem sim um propósito, que somos dignos de amor, respeito, carinho e que isso tudo pode ser dado a nós por nós mesmos.

A autoestima precisa se desligar do espelho às vezes. Não que o espelho não ajude a enxergar nossa luz refletida em forma de beleza externa, mas por ser um conceito tão vago e infinito, precisamos nos apegar no que sobra depois que tudo vai embora.

Não há uma obrigação em se sentir linda o tempo todo. Não há uma obrigação em se sentir sexy e até mesmo desejada o tempo todo. Quando entendemos que essa autoestima é frágil e que precisamos fortalecer quem somos, o que amamos e o que queremos, se sentir linda não vira mais uma questão de obrigação nem de esforço para com sua auto imagem e confiança, e sim, só uma consequência.

A autoestima, por fim, é muito mais sobre confiar nas suas habilidades, se orgulhar da pessoa que você é e dormir tranquilamente a noite do que simplesmente apoiar-se na aparência externa para que sejamos validados por outras pessoas. A autoestima é muito mais sobre nós mesmas, sobre como nos sentimos lá dentro do que sobre a quantidade dos likes na foto da nossa bunda.

Eu levei um tempo pra entender que me sentir feliz e completa era muito mais saudável do que me sentir apenas bonita. Até pq quando estamos realmente felizes e completas, a beleza transborda da alma e brilha no corpo.

Preste atenção no que vem de dentro <3

As ilustrações são da maravilhosa artista Cécile Dormeau.


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